HÁ UMA SELEÇÃO BRASILEIRA QUE COMEÇA A DAR CERTO

Por Dassler Marques

Com base em um conceito limitado, Luiz Felipe Scolari costumava dizer que as seleções brasileiras de base tinham um papel de meramente escolher os melhores jogadores jovens. Ignorava, por assim dizer, o efeito que a amarelinha poderia causar na carreira de qualquer atleta aspirante e no progresso do Brasil. É exatamente o que tem ocorrido agora.

Com novas ideias desde que Rogério Micale foi contratado para ser treinador do Brasil sub-20 e auxiliar de Dunga no Brasil sub-23, a CBF consegue contribuir para o futebol nacional, mesmo envolta em um mar de lama sem fim e com prioridades políticas e comerciais à frente das esportivas. No caso dos garotos, em especial, há um fenômeno interessante em curso.

Vice-campeã mundial sub-20, a seleção transformou a realidade de Jorge no Flamengo, de atleta dos juniores a titular e destaque do principal. Não foi muito diferente com os zagueiros Marlon e Lucão ou com o atacante Malcom, por exemplo. Também abriu portas no mercado: Danilo saiu do Braga-POR para o Valencia e Boschilia do São Paulo para um Mônaco-FRA sedento por jovens.

É verdade que é difícil, quase impossível, aferir objetivamente qual o papel da Seleção Brasileira nisso tudo. Mas há algo que deve se pensar: a CBF precisa escolher os jogadores de maior projeção futura e, além de contribuir em sua formação, dar a eles o prestígio de ter vestido sua camisa. Isso pode ser um diferencial enorme.

Apesar de todos os problemas institucionais da entidade, está claro que defender o País faz o jogador regressar à equipe de origem com status diferente. Na prática, é como se a seleção falasse ao clube: “use o Jorge, use o Marlon, use o Lucão, pois eles são jogadores de futuro, são atletas de seleção brasileira”.

No contexto interno em que treinadores dos clubes profissionais mal sabem o nome dos jogadores da própria base, esse tipo de mensagem é essencial. Se a transição para os times adultos é o maior problema do Brasil, nada melhor que a seleção dizer aos clubes quais são os jogadores que merecem maior atenção. Quem são os Jorges escondidos.

Em média, só dois jogadores brasileiros que passam pela seleção no Mundial Sub-20 alcançam a Copa do Mundo, o que evidencia um grave problema: não conseguimos detectar cedo quem são nossas maiores promessas e perdemos a oportunidade de formá-las de maneira mais adequada. Um exemplo? O ótimo zagueiro Thiago Silva, que nunca passou por uma seleção de base e tem um claro despreparo emocional para os momentos de maior tensão.

Firulas

#1
Artilheiro do Pan, Luciano jamais havia atuado em jogos oficiais com Tite na função de centroavante. Ele foi ponta direita em Toronto, mas demonstrou faro de gol. O treinador corintiano foi esperto e o colocou de número 9. Resultado? Cinco gols em três jogos que levaram o Corinthians ao título do primeiro turno da Série A.

#2
O lateral esquerdo Emerson Palmieri, 21 anos, não jogou regularmente no Santos e no Palermo, mas foi contratado pela Roma. O motivo? Scouts dos clubes europeus conhecem o potencial dos jogadores brasileiros mais que os próprios brasileiros.

#3
As convocações da seleção sub-23 abrem um precedente ainda mais perigoso para os clubes pedirem liberações. A CBF precisa urgentemente parar o Brasileirão durante as Datas Fifa.