OS TIJOLOS QUE ERGUERAM A NOVA ESTRELA DE GUARDIOLA

Por Dassler Marques

Ao pagar mais de R$ 100 milhões por Douglas Costa, logo depois de uma Copa América abaixo da crítica, o Bayern de Munique deu o recado. Pep Guardiola confiou que poderia encontrar uma estrela já prestes a fazer 25 anos. E isso não é lá tão comum.

Em algum momento da história recente do futebol, se imaginou que a formação dos jogadores terminava aos 18 anos. A Federação Paulista, inclusive, reduziu a idade limite da Copa São Paulo. Douglas Costa é um desses jogadores que está aí para provar o contrário. Ele só explodiu agora. Sempre pode haver tempo.

Hoje referência em seu segmento, Rodrigo Caetano era diretor da base do Grêmio há uma década. Foi quem definiu que Douglas Costa, aos 15 anos, precisava morar no Estádio Olímpico. Acredite se quiser: ele pesava 38 kg e tinha 1,43 m de altura. Como poderia virar uma estrela de tão miúdo?

Para Rodrigo e os profissionais da base gremista, como James Freitas, só alimentação e treinamentos especiais fariam o garoto despontar no futuro. Aos 15 anos, de tão franzino, ele mal jogava contra os garotos de sua idade. Uma temporada depois e 17 centímetros maior, o problema era outro.

“Ele queria ser o número 10, mas conversamos e expliquei a ele que era melhor jogar pelas pontas, porque o contato físico era menor”, relembra James, que hoje se divide entre ser auxiliar de Roger Machado e liderar o Grêmio sub-20.

Além de ter um amadurecimento físico mais tardio que a média, há alguns motivos para o alto nível de Douglas Costa ter demorado tanto a chegar. O rigor excessivo de Celso Roth, seu treinador nos profissionais, contribuiu. Mas o fator Shakhtar também deve ser levado em conta.

Defender o clube ucraniano, na maioria dos casos, não tem feito bem a jovens brasileiros em ascensão. Os desafios em campo são pequenos, a concorrência no setor ofensivo é grande e o dinheiro na conta bancária é gigante. O Shakhtar, em geral, não desenvolve atletas como Douglas. Utiliza o talento deles até onde pode. Não empresta. Não vende por pouco.

Guardiola, além de visualizar o brasileiro como um ponta esquerdo nato, o que poucos viram, também enxergou alguém capaz de dar o salto. Um jogador que poderia deixar de ser promessa para ser estrela.

A chegada ao Bayern impôs desafios novos. Herr Pep rapidamente transformou Douglas em um jogador imparável no time que sabe criar espaços com maestria para permitir o um contra um sobre o adversário.

O encaixe de todos os fatores, nesse início, se mostra perfeito para Douglas Costa.