Autor de "Mourinho Rockstar" fala sobre que time o treinador deveria comandar

A Grande Área inicia uma série de entrevistas especiais com os autores dos livros publicados pela editora. E o bate-papo de estreia é com o jornalista português Luís Aguilar, que escreveu Mourinho Rockstar.

Nascido em 23 de fevereiro de 1982, Aguilar começou sua trajetória no jornalismo em 2002, no Jornal Record, um dos principais periódicos esportivos de Portugal. 

Mourinho Rockstar é o sexto livro publicado por ele, o segundo lançado no Brasil. Na conversa com o site da Editora Grande Área, ele contou um pouco mais sobre a experiência de escrever o livro sobre José Mourinho, um dos maiores técnicos do mundo. No mesmo papo, fez uma avaliação sobre que clube o português deveria comandar – depois de ter deixado o Chelsea, ele ainda não iniciou um novo trabalho – e falou da relação com os leitores brasileiros.

Confira o bate-papo na íntegra:

Editora Grande Área: Nos fale um pouco sobre o Mourinho Rockstar. O que ele tem de mais interessante?

Luís Aguilar: A minha ideia, neste livro, nunca foi escrever uma biografia de estilo clássico. Interessava-me mais mostrar a figura de Mourinho através de um retrato de rock'n'roll e cinema. Queria mostrar Mourinho enquanto uma figura rock'n'roll num futebol cada vez mais pop star. Há uma rebeldia que ele transmite que me cativa mais, enquanto autor, do que esses estilos politicamente corretos. Mourinho tem história, tem substância. É uma figura que pode ser analisada através de várias referências. Neste caso, quis partir dessa ideia rock'n'roll. Creio, por isso, tratar-se de um livro que mostra Mourinho de uma forma muito original. E não se resume a ele. Mourinho é parte do futebol. Nesse sentido, ao falar de Mourinho também recordo outras figuras que têm traços parecidos com os dele (como Cantona ou Ibrahimovic) e outras que são a sua antítese (como Jesús Gil y Gil, que foi um polêmico presidente do Atlético de Madrid). O livro é Mourinho, é futebol e é rock'n'roll. Quem gostar dessa mistura, não vai se decepcionar. 

Editora Grande Área: Como foi para você ter o livro publicado para os brasileiros?

Luís Aguilar: Foi um orgulho enorme. Este é o meu segundo livro publicado no Brasil – em 2014, a Gryphus publicou Jogada Ilegal, sobre a corrupção na FIFA – e o primeiro na Grande Área. Fico ainda mais feliz por ser um dos primeiros livros publicados por esta nova editora. Sinceramente, quando escrevi para Portugal, não esperava que o livro provocasse interesse de outros países. Mas já há uma edição brasileira e vão sair outras edições em países da América do Sul. Isso me deixa muito feliz e bastante grato à Grande Área.  

Editora Grande Área: Como tem sido a receptividade dos brasileiros? Você tem recebido comentários sobre o livro dos leitores do nosso país?

Luís Aguilar: Recebo muitas mensagens de brasileiros através do Facebook. Muitas pessoas, de diferentes idades, que me dizem que leram e gostaram. Ficam surpreendidos com essa forma rock'n'roll como mostro Mourinho. Gostam da analogia e da forma como ela é desenvolvida ao longo do livro. E muitos deles querem saber mais sobre Mourinho e sobre outros livros meus. É um contato que me deixa feliz. Saber que existe esse carinho por parte dos leitores brasileiros me dá muita força. O contato com os leitores é a parte mais gratificante de escrever um livro e isso está acontecendo com esta edição brasileira do Mourinho Rockstar.

Editora Grande Área: Conhecendo José Mourinho tão bem como você conhece, por que acha que ele foi demitido do Chelsea? Foi uma decisão acertada?

Luís Aguilar: Mourinho pode ser um treinador especial, mas não há ninguém mais especial do que a ditadura dos resultados. É a vida de todos os treinadores. Não há nenhum que possa resistir a tantos maus resultados. Pior ainda quando isso acontece num dos planteis mais caros da Premier League, que tem sempre o objetivo de vencer todas as competições onde está inserido. Ainda é cedo para dizermos se foi uma decisão acertada. Depende muito do que o Chelsea consiga fazer até ao final da temporada (por enquanto, continua a ser uma equipe muito irregular, especialmente na Premier), mas foi uma decisão esperada. 

Editora Grande Área: Mourinho não conseguiu repetir desta vez a passagem de sucesso que teve no Chelsea na oportunidade anterior. Quais motivos explicam essa queda de rendimento?

Luís Aguilar: Não é totalmente verdade. Nesta segunda passagem, Mourinho foi campeão na temporada passada e ganhou a Taça da Liga. Foi uma grande temporada do Chelsea. Uma temporada à Mourinho. Também por isso não se esperava que a equipe caísse tanto nesta temporada. Mas os motivos são os clássicos do futebol: os bons resultados apagam muitas guerras, muitas inimizades, muitas antipatias num grupo de trabalho. Por outro lado, os maus resultados tem o efeito oposto. Mourinho é um tipo que não tem problemas em criticar os jogadores em público. Mesmo com a comunicação social. Alguns, pelo visto, não gostaram muito disso. E foram se afastando dele na entrega ao jogo. A verdade é que muitos desses jogadores, mesmo depois da saída de Mourinho, continuam a ser uma nulidade. O problema, pelo visto, não era só do treinador. E não há treinador que resista quando os jogadores não querem.

Editora Grande Área: Você acha que Mourinho precisa reciclar seus métodos?

Luís Aguilar: Não creio que o problema esteja nos seus métodos de treino. Esses mesmos métodos serviram na temporada passada para ganhar a Premier League. Passou a ser ruim em poucos meses? O futebol tem uma enorme tendência para a hiperbolização. Para a besta e o bestial. Forma campeões de fast food e quer matar campeões, como é o caso de Mourinho, em menos tempo do que nada. Temos de ver tudo o que este treinador conquistou, a idade com que conquistou, os vários países – e clubes – onde o fez. É um dos melhores treinadores do mundo. E logo, logo, vai estar numa grande equipe lutando por todas as competições.

Editora Grande Área: Essa filosofia "me ame ou me deixe" que Mourinho cultiva na relação com os jogadores não é perigosa para ele?

Luís Aguilar: É, claro. Muito perigosa. Mas é o estilo dele. É uma aposta sua. E já lhe valeu mais vitórias do que derrotas. É muito a ideia: vens comigo para a guerra, és fiel, e não te deixo cair, mas se não estiveres comigo a 100 por cento, não me serves. É isso. Não deixa ninguém indiferente. É amado ou odiado. E essa é uma das suas imagens de marca. Creio que não vai mudar. 

Editora Grande Área: Qual time que você acha que melhor se identifica com o estilo Mourinho de trabalhar? 

Luís Aguilar: Gostaria de vê-lo no Manchester United. Tem uma grandeza de estrutura e de torcida que o Chelsea não tem. Mourinho sempre treinou clubes com grande história de vitória nos vários países – Porto, Inter e Real Madrid – à exceção do Chelsea. Foi ele que fez do Chelsea um clube vencedor. É o melhor treinador da história do clube. Mas talvez precise voltar a sentir o que é estar num clube com torcedores fervorosos, com essa grandeza, ao invés de um Chelsea em que os torcedores nem parecem ingleses. Stamford Bridge é dos estádios mais burgueses e silenciosos da Premier. Mourinho gosta de estar em clubes onde a torcida seja um verdadeiro inferno. O Manchester United pode ser bom para ele. Além disso, que bom seria vermos uma Premier no ano que vem com Mourinho no United e Guardiola no City. Seria uma espécie de reedição da rivalidade que tiveram em Espanha (entre Real e Barça). 

Editora Grande Área: Se tivesse que dar um palpite sobre o próximo time que Mourinho comandará, qual seria?

Luís Aguilar: O meu palpite é esse também: United. 

Editora Grande Área: Deixe uma mensagem para os brasileiros que leram o Mourinho Rockstar.

Luís Aguilar: Quero agradecer a todos pelo interesse que tiveram no meu livro. Espero que tenham gostado e que continuem lendo muitos livros sobre futebol. O futebol também se lê, também tem letras e é sempre uma boa forma de compreender melhor este jogo lindo e tudo o que o rodeia. Desejo felicidades a todos e espero poder levar a vocês mais livros meus no futuro.