ATÉ OS MELHORES SOFREM PARA REVELAR

Por Dassler Marques

Meses antes de assumir o Bayern de Munique em 2013, Pep Guardiola enviou Albert Celades à Alemanha. A missão para um de seus homens de confiança, hoje treinador da Espanha sub-21, era mapear completamente as divisões de base do clube onde trabalharia.

Para Guardiola, revelar jovens jogadores não é apenas uma parte do processo. É essencial.

O treinador mais marcante deste século quer ter apenas jogadores abertos a aprender diariamente, dispostos a modificar seus estilos, aptos a executar várias funções. “Preparado pra abrir a mente e aprender a jogar futebol?”, perguntou a Douglas Costa assim que chegou ao Bayern.

Dessa forma, não há meio termo: apenas jogadores motivados podem entrar no vestiário, o que explica Guardiola ter abdicado de nomes do quilate de Deco, Ronaldinho, Ibrahimovic e Yaya Touré em sua passagem histórica pelo Barcelona. Isso implica em ter um elenco curto, de aproximadamente 23 atletas versáteis. O backup para momentos de emergência vem da base. Ela é essencial para ele, lembra?

A conclusão de Guardiola a caminho do fim de seu trabalho em Munique é de que as divisões de base do Bayern não apresentaram a qualidade esperada. Ele bem que tentou: jogaram Hojberg, Julian Green, Gaudino...não corresponderam. O primeiro deles, dinamarquês, era a grande aposta de Pep, mas não conquistou espaço e preferiu ir para o Schalke.

Revelar atletas não é nada fácil. Requer, antes de tudo, ter qualidade em mãos. Mas também a percepção de encontrar o momento ideal. Fazer a preparação adequada. Oferecer confiança e dar respaldo para atravessar obstáculos são pontos chaves nesse processo onde até os melhores do mundo podem falhar. Assim como Guardiola. Assim como o Barcelona.

Desde a perda de Pep, há praticamente quatro anos, o clube com as divisões de base mais renomadas não consegue revelar. Bartra, Montoya, Cuenca, Tello e vários outros ganharam oportunidades dos treinadores pós-Guardiola, mas nenhum nascido depois de 1987, como Messi e Piqué, conseguiu a titularidade do Barça. Thiago Alcântara, classe /91, só decolou no Bayern. Você sabe com quem.

Isso significa que foram pelo menos quatro anos de formação sem que o Barcelona conseguisse revelar. Só Sergio Roberto, de 1992, e Rafinha Alcântara, de 93, despontam na gestão Luis Enrique como figuras com relativa importância no elenco. Exatamente como Guardiola queria no processo em que até os melhores podem falhar.