Autor de "Guardiola Confidencial" fala sobre as chances de o técnico comandar o Brasil no futuro

Guardiola Confidencial é o livro de estreia da editora Grande Área e, também, o nosso primeiro campeão de vendas. Por isso, procuramos o autor da obra, Martí Perarnau, para conversar conosco sobre a experiência vivida ao lado de um dos maiores treinadores do futebol mundial.

Neste bate-papo, Martí abordou diversos assuntos: o futuro de Guardiola no futebol inglês e no Manchester City, seus últimos meses no Bayern de Munique, e as chances de algum dia o catalão vir a comandar a seleção brasileira.

Confira a entrevista na íntegra:

Editora Grande Área: Você poderia nos fazer um pequeno resumo do livro? Quais são os tópicos mais importantes para os leitores?

Martí Perarnau: Pep Guardiola abriu uma exceção e permitiu o meu acesso ao vestiário do Bayern de Munique, para que eu pudesse ver tudo o que se passava lá dentro. O livro explica tudo o que aconteceu durante a primeira temporada de Pep no Bayern: as coisas boas e as coisas ruins. Isso sem qualquer restrição da parte de Guardiola, que não leu previamente o que eu escrevi: aceitou que eu relatasse à minha maneira tudo o que acontecia. O livro explica o futebol vivido por quem está “dentro” e também tudo o que cerca um clube de elite.

Editora Grande Área: Como você se sentiu acompanhando Guardiola por uma temporada inteira?

Martí Perarnau: Foi entusiasmante. Eu quase não conhecia Guardiola e acabou sendo uma experiência apaixonante. Ele é um personagem muito rico em nuances. Não é um Superman, mas uma pessoa normal, com seus temores e suas convicções, mas que busca realizar o trabalho mais perfeito possível no futebol, o que é um desafio muito complicado. Não se trata apenas de ganhar sempre, de maneira constante, mas sim de jogar de um modo específico, usando o jogo de posição, e Pep precisou fazer seus jogadores compreenderem os segredos dessa maneira de jogar. Para mim, não foi só entusiasmante: eu aprendi demais e comprovei que sabia muito pouco (e sigo sabendo pouco).

Editora Grande Área: Como foi para você ter o livro publicado para os leitores brasileiros?

Martí Perarnau: Fico encantado com o fato de o livro ter sido publicado no Brasil porque se trata do país do futebol. Bom, faço um reparo: é um dos grandes países do futebol. Não podemos esquecer de outros países que também são grandes. Mas o Brasil tem uma história formidável com a bola. Eu cresci vendo Pelé jogar e estive no Sarriá no drama de 1982 (nota da redação: derrota do Brasil para a Itália na Copa do Mundo), por isso tenho muito carinho pelo "futebol" (nota da redação: ele enfatiza o uso do vocábulo em português). Chegar ao leitor brasileiro é um grande prazer.

Editora Grande Área: Como os brasileiros reagiram ao seu livro? Você recebeu comentários na internet de algum fã brasileiro?

Martí Perarnau: Sim, recebi muitas mensagens de fãs no Twitter e todos foram muito bacanas. É o tipo de incentivo que faz você ganhar o dia.

Editora Grande Área: Você escreveu no livro sobre o desejo de Guardiola de comandar um time inglês. Ficou surpreso por ele ter acertado com o Manchester City?

Martí Perarnau: Não me surpreendeu. Guardiola é apaixonado pela história do futebol e, por isso, gosta de clubes históricos. Talvez por essa razão a escolha do City possa ter surpreendido um pouco, mas creio que nesse caso, Pep aceitou o trabalho por causa da presença de Txiki Begiristain como diretor esportivo. Pep e Txiki falam o mesmo idioma futebolístico e ele acha que juntos os dois podem construir um projeto sólido e vencedor a médio prazo.

Editora Grande Área: O acordo entre Guardiola e City se tornou oficial quatro meses antes do final do contrato do treinador com o Bayern de Munique. Você acredita na teoria de que isso pode afetar os meses finais de Pep no comando do time alemão? Por quê?

Martí Perarnau: Não compartilho dessa tese. Além de não acreditar que isso o afete negativamente, também acho que Pep está mais focado do que nunca em conseguir que o Bayern funcione em perfeição como equipe. No seu dia a dia, ele só pensa no Bayern.

Editora Grande Área: Você acha que Guardiola terminará sua passagem pelo Bayern de Munique com o título da Champions League?

Martí Perarnau: É impossível saber. No momento, o Bayern tem um duelo muito complicado contra a Juventus, que foi finalista no ano passado. É impossível que ganhem todos: Pep Guardiola, Luis Enrique, Blanc, Zidane... Só um deles ganhará e então dirão que todos os outros fracassaram, o que é uma grande estupidez praticada de forma recorrente no mundo do esporte na atualidade. Parece que existe uma necessidade de parte da torcida e de parte da imprensa em atribuir fracassos a todo aquele que não ganha o maior título. Mas o esporte não é assim. No esporte, o mais raro é vencer.

Editora Grande Área: Você pode fazer algum tipo de previsão sobre como será o trabalho de Guardiola na Premier League? Acha que será o trabalho mais difícil de sua carreira?

Martí Perarnau: Li bastante gente dizendo que Pep vai para a Premier League para conquistá-la e “evangelizá-la” com seu estilo, mas discordo radicalmente dessa opinião. Pep não pretende fazer isso. Ele vai para a Premier League para conhecer novos estilos, novos ambientes. Ele é que terá que se adaptar, exatamente como aconteceu na Alemanha. Hoje em dia, Pep é melhor treinador do que quando saiu de Barcelona porque a Alemanha e as dificuldades que lá encontrou o fizeram progredir e melhorar. Quando teve que deter os contra-ataques das equipes alemãs – que são as melhores do mundo nessa matéria – ele precisou corrigir ideias e conceitos de modo a adaptá-los a uma nova realidade. Por essa razão, ele agora é um treinador melhor. Na Inglaterra, acontecerá o mesmo. Pep não pretende mudar o futebol inglês, pretende que o futebol inglês o ajude a ser um treinador melhor.

Editora Grande Área: Você acredita que existe uma chance de os fãs brasileiros acompanharem Guardiola no comando da seleção brasileira no futuro?

Martí Perarnau: Para mim, é muito difícil, mas existe uma possibilidade, claro. Alguns anos atrás, falou-se nisso. Pep é um apaixonado pelos jogadores brasileiros, pelo talento e pela alegria em campo. Basta ver como ele se relaciona com Douglas Costa para perceber. Mas não me parece uma questão simples. Teria que existir uma vontade muito forte e determinada dos dirigentes brasileiros e não sei se isso acontecerá no futuro.

Editora Grande Área: Para encerrar, nós gostaríamos de lhe pedir um favor. Você pode deixar uma mensagem para seus leitores e fãs brasileiros?

Martí Perarnau: Minha mensagem para todos eles é de agradecimento por terem lido Guardiola Confidencial, e também posso dizer que acredito que virá outro livro sobre Pep Guardiola em um futuro próximo.