O OURO OLÍMPICO DA SELEÇÃO ESTÁ AMEAÇADO

Por Dassler Marques

Até quando faz muita coisa certa a CBF consegue se atrapalhar. É o caso dos Jogos Olímpicos de 2016 e da cobiçada medalha de ouro que falta ao nosso futebol. A quatro meses da estreia, há razões para se preocupar com o que pode acontecer até lá.

Com 25 jogos realizados com a geração olímpica, a Seleção Brasileira viabilizou a melhor preparação de sua história. Trabalhou nas datas Fifa, foi a duas edições do Torneio de Toulon, testou uma série de jogadores, criou um modelo de jogo próprio e se organizou para levar os nomes de peso acima dos 23 anos – possivelmente, Neymar, Miranda e Alisson ou Willian.

Mas, neste momento, há algumas nuvens sobre a medalha brasileira e grande parte delas por conta de Dunga. Primeiramente, é preciso lembrar um detalhe importante: ele não queria assumir a seleção olímpica e precisou ser convencido. A CBF pensou em outros nomes, mas concluiu que um segundo treinador de peso poderia se tornar uma ameaça ao principal técnico da entidade.

Isso significa que, na prática, a CBF protegeu Dunga e criou um problema para a Olimpíada em agosto. Neste momento, há claros sinais de desgaste do treinador da seleção principal que irá disputar a Copa América em junho e viu a corda apertar ainda mais sobre seu pescoço. O que irá acontecer com uma nova eliminação precoce? Para o time sexto colocado das Eliminatórias, não seria surpresa.

Por isso, desde já, qualquer decisão está carregada de grandes riscos. Se retirar Dunga das Olimpíadas antes da Copa América, como se cogita, a CBF coloca um novo treinador estranho ao projeto e, definitivamente, frita o técnico da equipe principal. É um beco sem saída, ainda mais com Neymar com problemas visíveis na seleção.

À margem disso, há outros problemas. Nenhum profissional da comissão técnica está confirmado na Olimpíada, tampouco o treinador Rogério Micale, que dirigiu o sub-23 em sete amistosos. Neste período, Micale implantou uma proposta moderna, ofensiva, protagonista, ousada e de difícil absorção por parte dos jogadores. Esse modelo será mantido no Rio de Janeiro? Não sabemos.

Assim, poderemos concluir que mesmo com avanços enormes em relação à preparação, o Brasil ainda tem muito a evoluir fora de campo. A escolha de Alexandre Gallo para iniciar o projeto se mostrou infeliz, desconectada do que se espera da camisa pentacampeã mundial. Marin e Del Nero miraram apenas um disciplinador, na materialização do raciocínio presunçoso de que só perdemos para nós mesmos. Como se a ordem fosse necessária apenas no vestiário.

A história brasileira na Olimpíada mostra que a medalha de ouro muitas vezes não veio justamente por conta disso. Em 2000, Vanderlei Luxemburgo abdicou da experiência e viu seu time ser eliminado por Camarões com claros sinais de imaturidade. Em 2004, uma bagunça fora de campo matou o Brasil já no Pré-Olímpico. Em 2008, Ricardo Teixeira enfiou Ronaldinho goela abaixo a Dunga e jogou uma energia negativa sobre a seleção em Pequim. O que será da Rio 2016?