O CENÁRIO DA BUNDESLIGA APÓS QUATRO RODADAS

Por Gerd Wenzel

Passadas as primeiras quatro rodadas da Bundesliga, uma coisa parece absolutamente certa: os dois grandes do futebol alemão, Bayern Munique e Borussia Dortmund, confirmaram as suspeitas de que, de fato, possuem os melhores elencos da Alemanha e, por conta disto, estão jogando um futebol de encher os olhos do fã do esporte. É verdade que o Bayern, agora sob o comando do tranquilo Carlo Ancelotti, ainda está num patamar ligeiramente superior ao do Borussia Dortmund, mas cuidado: o jovem treinador auri-negro, Thomas Tuchel já está conseguindo engrenar o seu time repleto de novatos. É sempre bom lembrar que para repor a espinha dorsal formada por Hummels, Gündogan e Mkhitaryan, o Dortmund fez oito (!) novas contratações, tendo que formatar praticamente uma nova equipe.

O Bayern segue soberano na liderança do campeonato: quatro vitórias em quatro jogos, 14 gols marcados, apenas um sofrido. Enquanto isso, o Borussia Dortmund teve um escorregão diante do novato RB Leipzig na segunda rodada, mas após este início difícil, por conta da falta de entrosamento, deslanchou: goleada para cima do Darmstadt (6 a 0) e outra, fora de casa, na toca dos lobos, contra o Wolfsburg (5 a 1). Sem esquecer que sua estreia na Champions League foi mais do que satisfatória: goleada de 6 a 0 sobre o Legia Varsóvia. Foi a primeira vez na história que os auri-negros conquistaram duas vitórias consecutivas em jogos oficiais pelo mesmo placar de 6 a 0.


AS DUAS MAIORES SURPRESAS

Na história da Bundesliga, quando um time é promovido para a primeira divisão, a sua primeira preocupação é, a todo custo, manter-se no futebol da elite e não cair de novo para a “segundona”.

Entretanto, este não parece ser o objetivo do RB Leipzig. Patrocinado por uma forte empresa transnacional, este time que há sete anos ainda frequentava a quinta divisão, desponta, pelo menos até agora, como uma das grandes surpresas da temporada e pretende alçar voos mais altos.

O seu diretor de esportes, Ralf Rangnick, é um homem de visão. Foi técnico do Hoffenheim de 2006 a 2011, levando esta equipe da 3ª para a 1ª divisão em apenas dois anos. Como técnico, repetiu esta história no Leipzig, tornou-se dirigente do clube e contratou o carismático treinador Ralph Hasenhüttl que, por sua vez, na temporada 2014/2015, havia levado o Ingolstadt para a Bundesliga.

Além disso, o clube tem como política contratar apenas jovens promessas que, no máximo, tenham 24 anos e formou um elenco que impõe respeito: no seu primeiro jogo em casa, derrotou o Borussia Dortmund por 1 a 0 e, não bastasse isso, goleou o Hamburgo fora de casa por 4 a 0 na rodada seguinte. Ainda não perdeu na atual campanha (duas vitórias e dois empates) e ocupa o 6º lugar na tabela, equivalente a uma vaga para a Liga Europa.

Outra surpresa é o tradicional Colônia, que foi o primeiro campeão da Bundesliga fundada em 1963 e conquistou mais um título em 1978, além de levantar quatro vezes a Copa da Alemanha.

Em 2013 estava na 2ª divisão e contratou o técnico austríaco Peter Stöger, um treinador adepto do futebol moderno e hábil na administração das vaidades de cada um dos seus comandados. Resultado: subiu de cara para a Bundesliga. Na primeira temporada (14/15) ficou em 12º e na última em 9º, por pouco não beliscando uma vaga para a Liga Europa. Tem um elenco consistente à sua disposição e conta com todo apoio da diretoria. Pequeno detalhe que talvez esteja fazendo a diferença: sete jogadores do atual elenco nasceram em Colônia – nenhum outro clube na Alemanha tem tantos jogadores da própria cidade no seu time principal.  E pasmem: encerrada a quarta rodada, o Colônia é vice-líder com três vitórias e um empate, dois pontos atrás do Bayern e um ponto à frente de Dortmund, Frankfurt e Hertha Berlin.


AS DUAS MAIORES DECEPÇÕES

Neste caso, basta olhar a tabela de classificação: Werder Bremen e Schalke 04. Os dois disputam para saber quem segura a lanterna e, por enquanto, isso está sendo decidido pelo saldo negativo de gols. Em quatro jogos, contabilizam quatro derrotas. Mas o Werder "conseguiu" acumular um saldo negativo de 11 gols (3 pró e 14 contra). Demitiu o técnico Viktor Skripnik após a derrota na 3ª rodada para o Gladbach por 4 a 1, mas o interino Alexander Nouri (sub-23) também não conseguiu reverter a situação: perdeu em casa para o Mainz por 2 a 1 – e foi de virada nos últimos cinco (!) minutos do jogo.

O Werder Bremen cambaleia e não é de agora. Desde a temporada 2011/2012 oscila entre o 9º e 14º lugar e já na última campanha faltou pouco para não ser rebaixado ou ter que disputar a repescagem.

E o que dizer do Schalke 04? Contratou o jovem técnico Markus Weinzierl, que fez sucesso no Augsburg, renovou o seu elenco e tem um novo diretor de esportes. Até parece que é novidade demais para este tradicional clube do oeste da Alemanha.

Fato é que os "azuis reais" estão fazendo o seu pior início de campeonato desde 1985: quatro jogos, quatro derrotas – sendo a última em casa de virada para o seu arquirrival da região, o Colônia.

À triste sina de não vencer um título alemão desde 1958, pode ser acrescentada outra tristeza pelo andar da carruagem do Schalke 04: o rebaixamento para a 2ª divisão, coisa que aconteceu pela última vez em 1988.

Perguntas que não podem calar: Bayern e Dortmund são os únicos dois que vão lutar pelo título? Colônia e Leipzig terão condições de se firmar nas primeiras posições e lutar por uma vaga europeia? Schalke e Werder terão condições de se recuperar e espantar o fantasma do rebaixamento?

Só o tempo dirá, mais tardar no dia 20 de maio de 2017, data da última rodada do Campeonato Alemão.