AFINAL, ANCELOTTI VAI DAR CERTO NO BAYERN?

Por Gerd Wenzel

Há controvérsias.

Carlo Ancelotti é o tipo de pessoa que a gente tem a tendência natural de querer bem.  Sempre aparentando tranquilidade, jeitão bonachão, dificilmente se abala. Ficar gritando com os jogadores, então, dando instruções a esmo o tempo todo, nem pensar. Adora um bom papo descontraído, saboreando ao mesmo tempo um vinho tinto, preferencialmente da Toscana.

Um dos exemplos clássicos de sua fleuma foi visto na partida em que os bávaros perderam para os auri-negros de Dortmund por 1 a 0: na maior parte do tempo ele estava lá parado, em pé, tal qual uma coluna impávida à beira do campo, com seus sapatos de brilho impecável. Não se abalou com o revés.

Quatro dias depois veio a derrota para o Rostov por 3 a 2, pela Champions League, e nos Biergarten de Munique começaram a se ouvir as primeiras cornetas: “Será que contratamos o homem certo?".

Nos últimos anos, o Bayern passou por diversas experiências com vários técnicos diferentes: o motivador Jürgen Klinsmann, o vaidoso Louis van Gaal, o perfeccionista Pep Guardiola. Mas, verdade seja dita, os técnicos que melhor funcionaram no Bayern Munique e melhor incorporaram no seu trabalho a cultura do Bayern foram Ottmar Hitzfeld e Jupp Heynckes, com quem os bávaros venceram seus dois últimos títulos da Champions League.

No que diz respeito aos seus métodos, Ancelotti até se parece um pouco com estes dois: venceu três títulos na Champions e prefere organizar o jogo de sua equipe a partir de uma defesa bem estruturada.

“Futebol não é para visionários. A beleza do futebol está na sua simplicidade”, afirma Ancelotti, que surpreendentemente vai mais longe: "Tática é muito importante, mas não é o mais importante. Eu sei como conquistar a Champions League".

Ancelotti não dá valor ao futebol espetáculo. O negócio dele é obter vitórias, não importa como. Jogadores comandados pelo técnico italiano não precisam estar o tempo todo com a posse da bola e ficar trocando passes à frente da grande área adversária tal qual um time de handebol. Podem e devem recuar vez por outra, aguardando apenas a oportunidade para um contra-ataque letal.

Os críticos do seu trabalho afirmam que ele é muito condescendente com os jogadores, amigo demais dos atletas. Pode até ser: nenhum dos seus ex-jogadores fala mal dele, pelo contrário. A começar por Cristiano Ronaldo, que o adora pelo fato de Ancelotti não tê-lo aprisionado num esquema tático, deixando-o à vontade para jogar. O resultado é conhecido.

Quem está por dentro do ambiente interno do Bayern Munique afirma que Carlo tem um masterplan cujo objetivo é deixar o time no ponto certo em abril, quando começam os jogos decisivos da Champions League, mais especificamente as quartas de finais.

Sempre é bom não esquecer que sob o comando de Guardiola o Bayern dava show de bola no inverno antes do Natal e, quando chegava a primavera, em março, o time parecia esgotado. Resultado: foi eliminado nas semifinais da Champions por três anos consecutivos.

Enquanto a Champions só volta em fevereiro, neste fim de semana será disputada a 17ª rodada da Bundesliga, em que o Bayern Munique poderá se tornar campeão do primeiro turno pela 22ª vez em sua história.  Para tanto, basta empatar com o Freiburg em jogo que será transmitido pela ESPN Brasil nesta sexta-feira, dia 20, a partir das 17h20.

Detalhe: nas 21 vezes anteriores em que conquistou o título simbólico de campeão de “inverno”, acabou levantando a Salva de Prata ao final do campeonato em 18 oportunidades.

Neste caso, Carlo Ancelotti estará atingindo o seu primeiro objetivo: conquistará seu primeiro título de campeão alemão, e os jogadores poderão festejar na famosa Marienplatz de Munique o título inédito de pentacampeão verdadeiro – cinco campeonatos alemães consecutivos conquistados.