RB LEIPZIG: ODIADO, INVEJADO OU O QUÊ?

Por Gerd Wenzel

O Red Bull Leipzig, em sete anos, conseguiu subir da quinta para a primeira divisão – não é pouca coisa. E este salto espantoso, é bom que se diga, não é nenhuma novidade no futebol alemão. Algo parecido aconteceu com o Hoffenheim, que em 2000 também estava na quinta divisão e após oito anos, em 2008, chegou à Bundesliga.

Leipzig e Hoffenheim têm algo em comum que espanta e horroriza os tradicionalistas: é o aporte de recursos financeiros, seja por um mecenas ou seja por uma empresa.

No caso do Hoffenheim foi o empresário Dietmar Hopp, fundador da empresa SAP e de acordo com a Revista Forbes, um dos homens mais ricos do mundo que quis realizar o sonho de criança de construir um estádio para o clube do seu coração – injetou 100 milhões de Euros no Hoffenheim com os resultados conhecidos.

No caso do Leipzig, trata-se de um projeto futebolístico com pé e cabeça apoiado ostensivamente pela empresa austríaca Red Bull que, diga-se de passagem, também patrocina uma equipe de Fórmula 1. O projeto esportivo propriamente dito é encabeçado por Ralf Rangnick que, coincidência ou não, foi técnico do Hoffenheim de 2006 a 2011.

Em algumas mídias de menor porte e, especialmente nas redes sociais, circula a opinião de que o RB Leipzig seria o clube "mais odiado da Alemanha", opinião essa baseada principalmente em ações isoladas de algumas torcidas organizadas de clubes da segundona como Erzgebirge Aue, Union Berlin, Karlsruher e Dynamo Dresden.

No que consistiam estas ações "odientas"? Basicamente em cancelamento de jogos amistosos com o Leipzig por pressão das torcidas organizadas dos clubes citados que enviavam cartas de protesto às suas respectivas diretorias.

Além disso, parte da torcida do Union Berlin, por exemplo, antes de um jogo oficial na segundona, iniciou uma campanha com faixas e banners erguidos durante a partida com os dizeres "Red Bull não!", além de se vestir de preto em sinal de "luto pela morte da tradição no futebol".

Na partida em Aue, os torcedores do RB Leipzig foram insultados e comparados a nazistas (!) por meio de alusões xenófobas à origem austríaca da empresa Red Bull.

Em Heidenheim, o ônibus do clube foi alvo de uma ação inusitada: torcedores atiraram centenas de cédulas falsas de dólares em direção ao veículo. Já em Karlsruhe, torcedores deste clube invadiram o Hotel em que o Leipzig se hospedava fazendo arruaças no hall de entrada do estabelecimento.

Mais recentemente, já na primeira divisão, um grupo de torcedores do Colônia bloqueou uma avenida de acesso ao seu estádio impedindo o ônibus do Leipzig a continuar no seu trajeto rumo à arena. Não houve maiores tumultos, mas a partida foi atrasada em aproximadamente 15 minutos por causa deste protesto. 

Sem esquecer que durante uma partida com o Dynamo Dresden teve uma ação isolada de um torcedor que atirou a cabeça de um touro ao gramado.

E daí? É por estas ações de grupelhos fanáticos que o RB Leipzig se torna o clube mais odiado de toda Alemanha? Não seria muito mais um sentimento de inveja vindo destes torcedores de clubes da segunda divisão, clubes estes que há anos, ou até décadas, não conseguem sair de sua mesmice nas divisões inferiores?

O que é a inveja mesmo?

"A inveja é aquele sentimento de frustração perante o que o outro tem e você não tem. É um sentimento de angústia gerado pela vontade não realizada de possuir os atributos ou as qualidades do outro, seja pela sua própria incompetência ou por alguma limitação sua, seja material ou intelectual".

E este sentimento de inveja, que cai como uma luva para torcidas frustradas, deverá ter um novo impulso agora, em que o Leipzig aparece em segundo lugar na tabela da Bundesliga, apenas dois pontos atrás do todo poderoso Bayern Munique e ainda invicto com cinco vitórias e três empates.

Por falar em Bayern Munique, talvez neste caso se aplique a adjetivação de "mais odiado na Alemanha". Na língua alemã existe até uma palavra específica para isto: Bayern-Hasser, traduzido literalmente como "odiadores do Bayern". Há um livro a respeito que é considerado a Bíblia dos Bayern-Hasser, chamado "Zieht den Bayern die Lederhosen aus" – em tradução livre, "Tirem as calças dos bávaros" –, cujos autores afirmam que existem 40 milhões (!) de Bayern-Hasser na Alemanha. Ou seja, metade do país.